A publicidade em local impróprio também causa indignação

As ações do governo no combate aos engenhos publicitários que dominam a paisagem do Distrito Federal representam o resultado da indignação da população que não suporta mais a ocupação irregular dos espaços públicos. Brasília, desde a epopeia da sua construção, vive a inglória tarefa de se transformar para pior.

Novos governantes criaram novas cidades com a intenção de desafogar o Plano Piloto. Outros criaram novas cidades como currais eleitorais. As soluções para a ocupação irregular do solo é um eterno imbróglio.

Se o problema das invasões tivesse sido encarado como hoje se enfrenta o descontrole da publicidade ilegal, com certeza a vida do brasiliense seria melhor.

Quando se determina a derrubada de propaganda irregular, cria-se um problema de ordem social com o aumento do desemprego daqueles que se dedicam a pintar faixas, paredes, muros ou placas de metal. É o caso da pessoa que cria as placas das muitas adivinhadoras do futuro e as prende nos postes da cidade. É o caso, também dos comerciantes que entulham suas janelas com propaganda de seus negócios.

A publicidade brasileira é considerada uma das mais criativas. As agências são premiadas e admiradas por seus congêneres.

E o que deseja o empresário, comerciante ou profissional liberal da capital tombada pelo Patrimônio da Humanidade? Ter o seu produto ou serviço identificado pelo consumidor. Ter a seu serviço um profissional que apresente ao consumidor um anúncio limpo, eficaz, e digno do nome da empresa que o produz. Mas é muito caro, imagina o anunciante, E ai, chama seu conhecido pintor de placas para expor uma ideia que ele próprio bolou.

Aqui, pessoal. Tudo a preço de banana. Diz a placa da farmácia pregada sobre a marquise do prédio. Ao lado, Dona Mirtes lê mãos, quebra encantos, arruma marido e faz passar em concursos. Logo em seguida, a porta limpa com pequeno anúncio do Edvaldo, alfaiate. Edvaldo optou pela agência de publicidade que lhe criou alguns anúncios e os veiculou na televisão, rádios, e, também em revistas e jornais de circulação entre a clientela especifica. Foi feita uma pesquisa e apurou-se que Brasília sentia falta de um profissional competente para transformar roupas usadas em modelos atualizados. Os vizinhos ficam admirados com o sucesso do Edvaldo, e ele responde: Sou profissional, e para fazer minha publicidade, busquei profissionais. Eles sabem o que fazer; afinal, a publicidade é alma do negócio.

Paulo Castelo Branco é advogado.

Publicado no Jornal Correio Braziliense em: 05/08/2007

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