Será que vamos precisar de galho de arruda?!

Em breve o Governo do Distrito Federal (GDF) voltará a licitar suas contas de publicidade. Os editais publicados anteriormente apresentavam inconsistências, identificadas pelo Sinapro/DF e confirmadas pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal, que decidiu pela suspensão de todos. O Sindicato não buscou a ação do Tribunal, embora isso fosse legítimo e legal.

Houve agências de propaganda que não gostaram da atitude do Sindicato, porém, a atuação de nossa entidade se fez necessária. Não adianta as agências ficarem desesperadas em conquistar uma conta do governo vendo só o possível ganho imediato. Lá na frente, a perda pode ser grande e, ao final, as agências podem ter que devolver dinheiro, enfrentar processos judiciais, terem seus contratos suspensos etc. Portanto, se identificarmos novos problemas, não nos acanharemos em agir novamente.

O nosso segmento está pronto a prestar um serviço de alta qualidade. Como o então deputado José Roberto Arruda dizia, em campanha há um ano: é a hora da nossa geração. Também assumiu o compromisso público com o nosso setor, de também ter chegado a hora das agências locais nas contas do GDF. Nossas agências não ficam nada a dever a nenhuma de fora do DF. Possuímos profissionais extremamente qualificados, premiados. As agências têm experiência e os fornecedores são capazes de prover qualquer solução que o governo demandar.

Em setembro de 2006, o nosso Sindicato declarou apoio, em um café da manhã, a então candidatura do deputado Arruda e do senador Paulo Octávio ao governo local. Aquele compromisso foi selado nesse evento. Estavam, entre os presentes, dirigentes de agências de publicidade, veículos de comunicação e todos os fornecedores de insumos que fazem parte da indústria da propaganda.

Para se ter uma ideia do que representamos, somos o 3º mercado publicitário do País; empregamos mais de 15 mil pessoas. O governo federal autoriza por aqui R$ 1,05 bilhão de reais em verba publicitária; some-se a isso mais R$ 300 milhões do mercado privado e do governo local. Arrecadamos mais de R$ 50 milhões em impostos anualmente. Alguma dúvida? Olhe para o lado e procure saber o tamanho do parque gráfico, o porte dos veículos de comunicação etc.

Entretanto, há também alguns paradoxos, difíceis de entender. No governo anterior, as empresas do GDF – BRB, CEB, CAESB – e a Secretária de Comunicação contrataram via licitação agências de Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e até do distante Maranhão! Às agências do DF restaram algumas migalhas. Essas empresas vêm para cá, ganham concorrências (sic), e, ao final do contrato e já no período eleitoral, encerram suas operações, desempregam em massa e partem para seus estados de origem. Não fazem na cidade nenhum tipo de imobilização, deixando isso para as suas matrizes.

Contrariamente, as agências com história na cidade (entre elas, várias que têm sede fora do DF mas atuam aqui há décadas), aqui contratam toda sua mão-de-obra e são responsáveis em grande parte pelo desenvolvimento de nossa área de produção (gráficas – 4º parque gráfico do País –, estúdios de som, produtoras de vídeo, revistas, jornais, estúdios fotográficos, empresas de marketing promocional, agências de modelos e empresas de evento) e uma série de atividades fundamentais para o bom e completo atendimento de suas contas. E reinvestem seus lucros. Só as agências com história com a cidade fazem a cadeia produtiva girar do início ao fim!

O Sindicato apoiou a chapa Arruda-Paulo Octávio por entender que tinha a melhor proposta para a cidade e ainda entende assim. Só esperamos não ter que recorrer a galhos de arruda, ferradura, patuá e sal grosso para que aquele compromisso se concretize.

Fernando Brettas é publicitário e presidente do Sinapro/DF

Publicado no Jornal Correio Braziliense em:  14/10/2007

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